quarta-feira, 13 de abril de 2011

Call me when you're sober.


A música insuportavelmente alta invadindo os quatro cantos do pequeno cômodo. A imensa escuridão tomando conta enquanto o frio a fazia companhia. E ela estava ali, deitada em sua cama, encarando o teto. Levantou-se, ainda no escuro, enxugou as lágrimas que há minutos atrás brotavam de seus olhos, acendeu um pequeno abajur que não estava muito longe da cama, caminhou até o lugar aonde guardava suas maquiagens e as pegou. Parou em frente ao espelho e se encarou. Desprezível. Monstro desprezível, era isso o que ela via. Começou a se maquiar calmamente, iniciou com a sombra preta, e logo após o lápis de olho, também preto. Além dos olhos carregados passou o batom vermelho sangue. Tudo em excesso, que não era diferente de sua pele que também era branca, em excesso. A música alta ainda continuava por ali. A garota olhou para os lados em busca do casaco, e assim que o encontrou saiu batendo a porta com força. E ela caminhava por aquelas ruas imundas acompanhada pelo frio e pela escuridão da noite com uma garrafa de vodka na mão. Caminhou, caminhou e caminhou, procurando um rumo, uma saída, procurando alguma paz pra sua alma que já não agüentava mais tanto desespero. Logo ouviu um pequeno barulho vindo do celular que estava no bolso do casaco, olhou-o e viu o número que já era conhecido. “Me chame quando você estiver sóbrio” pensou.

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